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BOI 777



Você pecuarista, que pensa em intensificar a produção da sua propriedade, já ouviu falar do boi 777? O boi 777 é um protocolo que visa uma maior produção em um menor tempo. Com essa tecnologia o pecuarista consegue produzir uma maior quantidade de animais precoces com uma carne de melhor qualidade, mais macia e mais saborosa, além de diminuir o tempo do animal na propriedade e aumentar a taxa de lotação. Outro ponto positivo desse protocolo é a diminuição da emissão de metano ao ambiente. O objetivo é produzir um animal de 21 arrobas em 24 meses. Esse animal passa por 3 etapas. As 3 fases são cria, recria e engorda, visando a engorda em 7 arrobas em cada uma delas. Por este motivo temos como nome de protocolo o boi 777. Ao adotar esse protocolo quando bem planejado e bem executado os lucros podem aumentar em 30% da renda do produtor.


Na cria o animal tem que ser desmamado por volta de 7 a 8 meses com 7 arrobas ou 210 Kg. Quando selecionamos uma boa genética, o fato de desmamar o bezerro mais pesado acontece. Na fase da cria um manejo adotado é a realização do creep feeding. É nesta fase também que se deve engordar o máximo possível o animal, pois na próxima fase, que chamamos de recria, o animal sofrerá o período de seca, época onde encontramos mais dificuldade para manter um bom ganho de peso. Pode ser feito ainda nessa fase a observação do potencial de crescimento do animal.


Na recria o animal fica por mais 10 ou 12 meses, entrando então com cerca de 8 meses de idade e saindo com 20 meses. Durante esse período o animal irá expressar seu potencial de crescimento, desenvolverá os músculos e os ossos principalmente. Com isso, é importante não negligenciar a suplementação proteica, pois a falta de proteína é um fator limitante para o consumo animal e para seu desenvolvimento. A suplementação proteica é feita nas secas com uma recomendação de 1 g a cada 1 kg de peso vivo variando de acordo com a realidade da propriedade.


Para evitar que o animal perca peso nessa fase é necessário que haja uma boa manutenção do pasto para que assim ele mantenha a qualidade mesmo no inverno.


Na engorda o animal fica por mais 4 meses e depois vai para o abate. Nessa fase, a dieta deve ser mais energética sendo rica em grãos, pois o animal está em acabamento e precisa fazer uma boa cobertura de gordura. No processo de engorda, o animal pode ser acabado em confinamento ou a pasto com uma terminação intensiva. Em confinamento a dieta é rica em concentrado, podendo ter 70% de concentrado e 30% de volumoso. Na TIP (terminação intensiva a pasto) é fornecido 2% de ração em relação ao peso vivo, para realizar essa estratégia é necessário cuidar do animal e da qualidade do pasto.


Tendo em vista todos os demais períodos, a propriedade precisa levar em conta de que tudo está voltado aos números, estratégias. É necessário avaliar se os índices estão sendo alcançados (sejam eles nutricionais, sanitários ou financeiros). Além disso, outro ponto a ser analisado é o acompanhamento genético. Se torna imprescindível o trabalho com animais de excelente eficiência biológica juntamente com a assistência em cada fase, conhecendo a fundo a realidade e em qual pé anda o processo. Para grandes resultados, precisamos entender que teremos que abraçar os investimentos necessários para conseguir chegar ao objetivo final.


Ao seguir todos esses pontos é possível ter um animal com boas condições para abate com até 24 meses, com isso o produtor terá um ótimo retorno financeiro e os consumidores, uma carne de qualidade para consumo.


Por Beatriz Tuzzi.

 
 
 

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